terça-feira, 23 de julho de 2013

It´s a Boy!

23/7 - William acena para a imprensa que aguardava a aparição do seu filho (Foto: Leon Neal/AFP)

Nasceu nesta segunda-feira (22) o bebê real, primeiro filho do Príncipe William e da duquesa de Cambridge, Kate Middleton. O anúncio foi feito pelo Palácio de Kensington, residência oficial do casal.

É um menino, de cerca de 3,8 quilos, que nasceu saudável às 16h24 locais (12h24 de Brasília), de parto normal, após 11 horas de trabalho de parto e na presença do pai, como manda a tradição da família real britânica.

A Casa Real disse que a equipe médica presente no nascimento era composta pelo ex-ginecologista da rainha Marcus Setchell, o obstetra Guy Thorpe-Beeston e o consultor neonatologista Sunit Godambe.

O garoto vai ser o terceiro na linha sucessória do trono britânico, atrás do avô, Charles, e do pai, William. O bebê já nasce com o título de Príncipe de Cambridge e será tratado como "Alteza Real".

O nome da criança ainda não foi anunciado, e poderia demorar dias até isso ocorrer. Os britânicos tiveram que esperar uma semana para saber o de William, e um mês para saber o de Charles. Se depender das apostas, os nomes favoritos são George ou James.

Quais as chances, aqui no Brasil, de um filho de um presidente(a) nascer de Parto Normal??

Em todo mundo é assim: mulheres de modo geral dão à luz de parto normal. No Reino Unido, a taxa de cesárea é menos da metade da nossa média nacional e quase 1/4 da taxa de cesárea na Saúde Suplementar brasileira.

Aqui no Brasil parir é coisa de pobre, de índia ou de ativistas. No Mundo, parir é coisa de mulheres, princesas ou plebeias. Cirurgias são usadas em caso de emergências e Partos Domiciliares são incentivados.

Apesar dos últimos anos as taxas de cesáreas no Reino Unido ter crescido, o governo vem estudando medidas para melhorar seus índices principalmente  intensificando o número de Parto Domiciliares. 

Dr. Lucas Barbosa da Silva, Obstetra em Belo Horizonte, Minas Gerais, um dos médicos contratados pelo Ministério da Saúde para ajudar a melhorar a realidade obstétrica brasileira em que 52% dos partos se dão por via cirúrgica, conta na Inglaterra após longos anos de pesquisas, conclui-se que o aumento da taxa de 4% para 10% de partos domiciliares melhorariam os índices obstétricos do Reino Unido. “A Inglaterra quer ter índices próximos da Escócia que oferece uma melhor assistência obstétrica impulsionada principalmente pelo partos Domiciliares. Nesta pesquisa conclui-se que os partos domiciliares são tão seguros quanto partos hospitalares em gestantes de baixo risco, mas são mais baratos para o governo e com índice de satisfação superir”, afirma o médico.

Ele reforça que para esses índices favoráveis é preciso de um excelente pré natal que avalie criteriosamente riscos. “Essas pesquisas mundiais deveriam orientar investimentos para oferecer mais oportunidades para que as mulheres tenham partos em casa. Aqui no Brasil a formação e inserção de enfermeiras obstetras bem treinadas para o atendimento de gestantes de baixo risco já poderia ajudar a reduzir os índices brasileiros de 52% de cesáreas e mais de 80% na rede privada. Estamos ainda longe de oferecer partos domiciliares pelo sistema público de saúde. Mas as mulheres estão transformando pouco a pouco a realidade obstétrica brasileira”

Close do rosto do bebê real (Foto: Peter Macdiarmid/Getty Images)

Fontes:
Site G1 - Globo.com
Portal Vila Mamíferas

sexta-feira, 12 de julho de 2013

O Renascimento do Parto - O Filme


É isso aí, dia 09 de agosto será o lançamento nacional de um filme que pode mudar a realidade obstétrica brasileira. Bom, pelo menos é isso que esperamos, né? 
Mais uma grande "sementinha" está sendo plantada para gerar bons frutos no futuro! Tenho certeza que muito bebês agradecerão por nascerem naturalmente (no momento que estiverem prontos e não quando o médico determinar...).

Vejam abaixo o trailer oficial do filme. Imperdível
E levem lençinhos de papel!! ;)


"Acho que quando as pessoas visualizarem a realidade, ela será mais facilmente assimilada e mudada! Eu tenho fé!"
(Tati Santiago - 2 partos naturais humanizados hospitalares)

 
 "Para mudar o mundo, primeiro é preciso mudar a forma de nascer."
(Michel Odent)



terça-feira, 4 de junho de 2013

13 itens para se saber

Mais um brilhante texto escrito pela obstetriz Ana Cristina Duarte de São Paulo. 
Informações importantes e alguns mitos desvendados. Vale a pena conferir! ;)

1. Não existe bebê ficar mal porque “bebeu água do parto” ou porque “engoliu mecônio”. Bebês bebem água do parto durante metade da gestação, o tempo todo. E o mecônio é uma substância estéril e sem risco para o tubo digestivo. O perigo real é a aspiração profunda de mecônio, porque obstrui os alvéolos e frequentemente está associado a um evento de anóxia perinatal. Na verdade os novos protocolos de reanimação neonatal dizem para não perder tempo aspirando um bebê com mecônio. Se não estiver bem, entuba e leva pra UTI. Ou seja, se for líquido, não aspire, se estiver bem, não aspire, se tiver mecônio e estiver bem, não aspire. Se tiver mecônio e estiver com problemas, leve pra UTI, não perca tempo aspirando.

2. Na maioria das situações normais, o fator determinante para o início do trabalho de parto é o bebê. Quando seu pulmão (último órgão a amadurecer) fica pronto, começa a produzir surfactante, que cai no líquido amniótico e provoca uma reação em cadeia que faz a mulher entrar em trabalho de parto. Portanto quando a mulher não está em trabalho de parto significa, em geral, que o bebê não está maduro. Para entrar em trabalho de parto, não adianta escalda pé, acupuntura, comida apimentada e escrever cartas. O que adianta é pedir pro bebê produzir logo um pouco de surfactante!


3. Não existe dilatação de “5 dedos”. A dilatação se mede com 1 dedo, 2 dedos e a partir disso são centímetros, pois não dá para colocar 3 dedos, 4 dedos.. até dá, mas não é bonito. Então a dilatação vai em 1 dedo, 2 dedos, 3 cm, 4 cm… até 10 cm.


4. Todos os bebês nascem roxos, porque dentro do útero eles vivem o tempo todo com essa cor, sendo o útero um ambiente de baixa oxigenação. Só quando nasce e respira é que ele vai começar a ficar cor de rosa aos poucos. Mesmo bebês de afro-descendentes ficarão rosados, pois a cor rosa vem da circulação do sangue oxigenado. Portanto, quando disserem “você passou da hora, tanto que nasceu roxo na cesárea”, desconfie. Bebês nascem roxos, todos! Inclusive hoje, nos novos protocolos de reanimação, já não se considera a cor rosa como item essencial para um bebê que acaba de nascer.


5. A gravidez humana dura EM MÉDIA 38 semanas a partir da concepção ou 40 semanas a partir da última menstruação. Quando falamos que a gestante está de 28 semanas, já estamos contando da menstruação. Se fôssemos falar a partir da concepção, diríamos que ela está de 26 semanas. A contagem em mês é artificial e aleatória. Com 28 semanas tem gente que chama de 7 meses, tem gente que chama de 6 meses, tem gente que chama de 6,5 meses. Contagem em meses tem apenas fins recreativos.


6. A medida do comprimento do recém nascido também tem fins apenas recreativos. Como o bebê sempre está encolhido, então não dá para medir com exatidão. Essa medida só serve para a diversão da galera, e não entra em nenhum levantamento de saúde. Nem entra na DNV, declaração de nascido vivo. É que nem medir o bíceps de um menino de 8 anos para saber se ele é forte. Se três pessoas diferentes medirem o mesmo recém nascido, teremos três medidas diferentes. A única medida que tem importância num recém nascido é o peso.


7. Todos os bebês têm algum nível de icterícia fisiológica, aquele amarelo na pele e olhos nos dias seguintes ao nascimento. Eles nascem com excesso de hemáceas, que ao serem degradadas produzem a bilirrubina, substância amarela. Aos poucos o fígado metaboliza a substância e a cor da pele vai voltando ao normal. São raríssimos os casos de icterícia patológica que requerem banho de luz. A imensa maioria dos bebês internados nas UTIs neonatais privadas estão lá ajudando a pagar o equipamento, só isso.


8. Quando a bolsa se rompe, o bebê continua produzindo líquido amniótico através da urina, e sua cabecinha faz uma “rolha” que veda o colo do útero provisoriamente. Assim, ele sempre terá líquido amniótico ao seu redor! Não à toa que um bebê que nasce com bolsa rompida há muito tempo, frequentemente ainda vem numa torrente de água! É bom lembrar que a principal função do líquido é a proteção contra choque. Bolsa rompida não faz o bebê nascer seco.


9. O cordão umbilical é preenchido de uma geléia elástica que faz com que ele seja praticamente “incomprimível”, mantendo assim os vasos sanguíneos bem protegidos. Por isso que em situações normais, circulares de cordão (seja quantas forem), não tem significado!


10. Tecnicamente o cordão umbilical não precisa ser cortado em nenhum momento específico após o parto. Se a família quiser, pode esperar a hora do banho da mãe, ou da pesagem do bebê. Se o bebê nasce na rua ou em casa, é para deixar o cordão ligado. O cordão não faz mal ao bebê! Ele faz parte de um sistema fechado bebê-cordão-placenta, por onde não tem como os germes entrarem. Na dúvida, não corte o cordão.


11. Durante o parto, o que dilata é o colo do útero, aquela estrutura lá no fundo do canal vaginal, que fecha o útero e mantém o bebê lá dentro por 9 meses. É lá que a gente mede a dilatação. Depois disso, no canal do parto, vem só tecido elástico, que não precisa dilatar para o nascimento, mas sim “esticar” conforme a cabecinha do bebê vai descendo para nascer.


12. Apgar é uma nota que se dá ao bebê quando ele nasce. Não precisa fazer nada, só observar o bebê. A primeira nota se dá com 1 minuto de vida e não tem maior importância. Já a segunda nota se dá com 5 minutos de vida e diz mais ou menos as condições do recém nascido naquele momento. Qualquer nota acima de 7 no quinto minuto já é uma boa nota. A nota do primeiro minuto não é levada em consideração em nenhum tipo de levantamento. Portanto é perferível um bebê que nasce com notas 2 e 8, do que um que nasce com nota 5 e 6.


13. Tamanho de bumbum não é tamanho de quadril. Não há como se avaliar um tamanho de bacia pelo "shape" da pessoa! O bebê passa pelo buraco interno da bacia, não importa quanto de bumbum sua mamãe possua. O buraco interno não tem como ser medido com exatidão. Só há uma forma de saber se o bebê vai passar ou não pela menor ou pela maior das bacias pélvicas: entrando em trabalho de parto e aguardando a dilatação total do colo do útero. Se depois disso descer, nasceu. Se não descer e ficar fora da bacia, não
nasceu. E olha que já vi muita criança "não nascer" num parto, e depois ganhar um irmão de parto normal, que passa pela mesma bacia, com peso até maior do que o primeiro.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Campanha Renner, Dia das Mães.

O dia das mães está chegando e vemos diariamente na televisão dezenas de comerciais voltados para essa data tão importante (e recorde em vendas!). Todos são lindos, emocionantes e focados em promover o consumismo da sua marca, mas uma campanha em especial vem atraindo a atenção de todos (principalmente das ativistas do parto humanizado) pela sensibilidade e simplicidade em mostrar o momento mais importante da vida de uma mãe: o nascimento do seu filho!

A campanha da Renner mostra um parto normal com uma mãe feliz, decidida, empoderada, apoiada pelo seu companheiro e com uma equipe que respeitou o momento certo para o nascimento do bebê!   

Além de focar que não precisa de maquiagem, de perfume, de pulseiras ou salto alto, o vídeo demonstra que em um parto normal a mulher não precisa estar deitada, nem sofrendo (dor não é sinônimo de sofrimento), nem com cara de medo, nem sozinha... E tudo isso em 45 segundos! Simplesmente emocionante!
  
Promoveu a realidade e os verdadeiros valores da vida para conquistar clientes! 
(E me conquistou, com certeza!)
Parabéns, Lojas Renner, pela melhor campanha do Dia das Mães dos últimos anos!


quinta-feira, 18 de abril de 2013

Qual o lugar certo para parir?

Muitas mulheres têm dúvidas quanto aos locais possíveis para se ganhar um bebê, por isso decidi compartilhar esse resumo feito pela minha linda doula, Drika Cerqueira, para ajudar a esclarecer essas dúvidas. 

O lugar ideal é sempre aquele onde a mãe se sente bem, tranquila e acolhida, onde seu acompanhante é bem recebido e sua equipe de profissionais (médicos, parteiras, doulas...) também, porém sabemos que esse "mundo ideal" ainda não está a disposição de todas as gestantes, infelizmente. 

Assim, vale a pena saber as principais vantagens e desvantagens de cada local, ver qual deles se aproxima à sua realidade e se há possibilidade de negociar com o médico/equipe sobre alguns protocolos e intervenções não desejados pela gestante.



quinta-feira, 4 de abril de 2013

Da Maternidade eu espero...


Hoje queria compartilhar um vídeo lindo com depoimentos de mães e famílias dizendo o que esperam dos serviços de Maternidade. Partos hospitalares, partos domiciliares, a ajuda da Doula, a presença do acompanhante, a importância de profissionais humanizados cuidando da mãe e do bebê! Lindo de viver!
 

Vídeo produzido pelo Além D´Olhar Fotografia para ser apresentado pelo Grupo Samauma no I Seminário Internacional de Centros de Parto Normal, organizado pelo OPAS - Organização Pan-Americana de Saúde - e pela Rede Cegonha.

Aproveitando para compartilhar mais coisas boas... ontem no programa Encontro com Fátima Bernardes apresentado pela Rede Globo, o tema era Parto Normal ou Cesárea? Muitas mulheres entrevistadas deram o depoimento sobre seus partos e os motivos de suas escolhas, além de uma excelente explicação do obstetra Marcos Dias sobre a prática desses dois partos no Brasil. O programa contou também com a participação do pediatra Ricardo Chaves, falando sobre a importância do pré-natal e os benefícios do parto normal ao bebê. 

Foi um tema muito bem elaborado pelo programa (diferente de muitos outros programas por aí), mostrando a realidade do Brasil (quase 90% de cesáreas no serviço privado), as causas e as consequências dessa "epidemia" no país, a postura dos planos de saúde, as diferentes escolhas da mulheres e a importância da informação durante a gestação. 

Mulher bem informada não se deixa enganar por médicos que indicam cesarianas sem a real necessidade!

O programa merece ser visto na íntegra, mas selecionei algumas frases do pediatra que me chamaram a atenção e alguns links dos vídeos com informações importantes:

"Se a gente perguntasse aos bebês, eles iriam preferir nascer de Parto Normal." (Ricardo Chaves, sobre os benefícios ao bebê que nasce de parto normal)


"Que dor é essa que em 5 segundos se transforma em um sorriso?" (Ricardo Chaves, sobre a tão temida dor do parto)


"Deve-se levar em conta a data da maturidade dos bebês. Certamente teríamos mais aleitamento, mais relação mãe-bebê, menos internação em UTI, menos complicações de adaptação, se a gente respeitasse a data de escolha dos nascimentos. " (Ricardo Chaves, sobre os agendamentos prematuros das cesáreas)


Gestante já experimentou os dois tipos de partos:  
Vanessa Pangaio fala sobre o seu VBA3C (sigla em inglês que significa parto normal após 3 cesáreas), desmistificando o risco de ruptura uterina em trabalho de parto após cesárea.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

O parto normal em extinção no Brasil

Ministério da Saúde prepara ação para reduzir em 10% os partos cirúrgicos e alerta: há uma epidemia de cesarianas antecipadas sem necessidade no país

Desde fins do século XIX, quando a medicina conseguiu finalmente difundir as técnicas de anestesia e os procedimentos para evitar infecções, realizar os partos por meio de um procedimento cirúrgico é uma opção ao alcance das mulheres em grande parte do planeta. Descoberta quase por acidente, quando em 1500 um castrador de porcos suíço conseguiu autorização para abrir a barriga da mulher, que reclamava de fortes dores, as cesarianas progressivamente tornaram os partos mais seguros e menos sofridos, principalmente quando há risco para gestantes e bebês. No ranking da Organização Mundial de Saúde  (OMS), o Brasil aparece em segunda colocação entre os países com mais cesarianas em relação ao total de nascimentos. De 2000 a 2010, dos novos brasileiros que vieram ao mundo, 43,8% foram partos por cesariana, deixando o país atrás apenas do Chipre, que teve 50,9%.

O Ministério da Saúde passou a ver com preocupação esse índice, que ultrapassa em muito os 15% considerados adequados pela OMS. A concentração maior se dá na rede privada, que atualmente faz 80% dos partos por cesariana. Na rede pública, os partos por cirurgia são 40%. “Há uma epidemia de cesarianas no Brasil”, afirma Dário Pasche, diretor do Departamento de Ações Programáticas Estratégicas (DAPES), do Ministério da Saúde. Para ele, há um misto de comodismo e questões de mercado por parte dos médicos, que acabam evitando o parto normal. Estados Unidos, França e Argentina tiveram, entre os anos de 2000 a 2010,  taxas de 31,8%, 20,2% e 22,7% de cesarianas, respectivamente.

Nos próximos meses, o Ministério da Saúde vai lançar um conjunto de ações para estimular os partos normais e evitar o que chama de cesarianas desnecessárias ou antecipadas na rede pública e conveniada ao SUS – aqueles hospitais particulares onde as internações são pagas pela saúde pública. Uma resolução que aguarda a assinatura do ministro Alexandre Padilha estabelece meta de redução de 10% em cada unidade da rede pública. Outra medida nesse sentido é um edital de pesquisa internacional, cuja criação está sendo auxiliada pela Fundação Bill e Melinda Gates. O objetivo do estudo é encontrar caminhos para reduzir os casos de partos cirúrgicos desnecessários – algo que passa tanto pelas políticas de saúde pública quanto pela transformação da cultura entre as gestantes.

A cesariana salva vidas. É uma técnica que fez a humanidade prosperar. Mas quando se abusa desse recurso, criamos um outro problema”, avalia Pasche. O risco, como explica, não está na cesariana isoladamente, mas no efeito que tem a opção em massa por esse tipo de parto. Com os agendamentos, a tendência é de se encurtar a gravidez. E o índice de nascimentos prematuros também é alto no Brasil, de 10%, quando o aceitável internacionalmente é de 3%. “A quantidade de bebês que nasce prematuramente no Brasil tem aumentado assustadoramente. Reduzir esse número é um dos maiores desafios no campo da saúde da criança”, diz Pasche.

Os primeiros dias de vida recebem, no momento, atenção especial do ministério. Entre 2000 e 2010, o país derrubou a mortalidade infantil (de idades entre 29 dias e 1 ano), indo de 26,6 para 16,2 casos por mil nascidos vivos. Mas o Brasil não teve o mesmo êxito na redução da mortalidade neonatal, que está diretamente ligada à proporção de nascimentos prematuros e de cesarianas antecipadas.

Pela OMS são considerados prematuros bebês que nascem antes de 37 semanas completas – o natural são até 42. Passou a ser usual o agendamento já a partir da 37ª semana - o que aproxima o parto da prematuridade. Responsável pelo setor de medicina fetal do Instituto Fernandes Figueira, ligado à Fiocruz e dedicado à saúde da mulher e da criança, Paulo Nassar vê na antecipação dos partos um risco para a saúde dos bebês. “A ultrassonografia tem margem de erro de uma semana. Uma mãe que agende a cesariana para a 37ª semana pode, na verdade, estar abreviando o nascimento para a 36ª”, alerta.

Nascer antes do tempo traz riscos principalmente para o sistema respiratório. Os pulmões do bebê se formam quando ocorre o estouro da bolsa, que representa o “sinal verde” do corpo para o nascimento. “Quando a mulher entra em trabalho de parto, há uma série de substâncias que amadurecem vários órgãos, principalmente o pulmão”, explica Nassar. Incapazes de respirar sozinhos, os recém-nascidos são afastados de suas mães e mantidos em UTIs neonatais. Por ano, cerca de 15 milhões de crianças no mundo são prematuras. Ou seja, mais de um a cada 10 bebês nasce antes da marca das 37 semanas – o que representa a principal causa da morte de recém-nascidos. A estimativa é de que um milhão de prematuros morram anualmente de complicações.

Mães e médicos – Dois fatores são decisivos para que as cesarianas sejam cada vez mais a forma de nascer dos brasileiros. Um deles vem das próprias gestantes. Uma pesquisa da Agência Nacional de Saúde Suplementar feita nos consultórios médicos mostrou que 70% das gestantes têm, inicialmente, vontade de dar à luz pelo parto normal. No último trimestre, só 30% se mantêm com o propósito de esperar as contrações e enfrentar o processo natural. “Alguma coisa acontece durante o pré-natal e faz com que as mulheres mudem de ideia. Temos observado também que, muitas vezes, essas indicações de cesariana são feitas no primeiro trimestre de gravidez, quando a mulher não tem nenhuma indicação para cesariana”, afirma Karla Coelho, gerente de regulação assistencial da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). “A comodidade do médico não é a única explicação. Muitas mulheres querem tecnologia, querem chegar e ter o bebê sem ficar horas em trabalho de parto. E, claro, também têm medo de sentir dor”, diz.

O segundo fator vem dos médicos. “O acompanhamento de um parto normal é complicado, principalmente nas grandes cidades, onde a vida do médico é corrida e ele tem vários empregos. Uma cesariana leva uma ou duas horas. Um parto normal pode demorar mais de horas, e a remuneração feita pelos planos de saúde é muito próxima. Isso passou a ser uma comodidade”, admite Desiré Callegari, primeiro secretário do Conselho Federal de Medicina (CFM).

Fonte:
http://veja.abril.com.br/noticia/saude/o-parto-normal-em-extincao-no-brasil